Diocese de Caratinga

Rádio Eclesia

SEMANA SANTA: uma subida em direção ao abaixamento

25/03/2024 . Artigos de Formação

O Ano Litúrgico consiste na celebração dos mistérios de Jesus Cristo no decurso de um ano. Trata-se de uma realidade sacramental. Por conseguinte, ao celebrarmos os mistérios de Cristo, tornamo-nos participantes destes acontecimentos salvíficos, na força do Espírito Santo. O centro de todo o Ano Litúrgico é o Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Por sua vez, este Tríduo está contido na Semana Santa, razão pela qual a chamamos também de “Semana Maior”. Trata-se da semana mais importante do ano, sob a perspectiva da celebração dos mistérios de Cristo. Nela, acompanhamos os últimos passos de Nosso Senhor em sua vida terrena, desde sua entrada messiânica em Jerusalém até sua entrega total no Calvário, e sua gloriosa Ressurreição. Para iluminar nossa caminhada ao longo destes dias, convém gravarmos no coração e meditarmos constantemente esta breve leitura:

Tende entre vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus. Ele, existindo em forma divina, não considerou um privilégio ser igual a Deus, mas esvaziou-se, assumindo a forma de servo e tornando-se semelhante ao ser humano. E encontrado em aspecto humano, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte — e morte de cruz! Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome, para que, ao Nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua confesse: “Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai (Fl 2,5-11).

 Nessas palavras das Sagradas Escrituras, as quais constituem um dos mais antigos hinos sobre a pessoa de Jesus que chegaram até nós, podemos contemplar uma síntese muito completa do mistério cristão. Precisamente, encontramos nelas o coração do mistério pascal de Cristo: de sua Paixão, Morte e Ressurreição. De fato, no ocaso de sua vida terrena, Jesus caminha em direção ao ápice de seu esvaziamento. Todavia, o caminho do Senhor até sua cruz não é outra coisa senão o próprio Deus, fazendo-se próximo dos seres humanos que sofrem, acompanhando-nos em nossas dores.

Nesse sentido, dizer que Jesus assumiu as nossas dores não significam que ele tirou o nosso sofrimento, isentando-nos da dor. De igual modo, dizer que ele assumiu nossa humanidade não significa que ele nos privou de sermos humanos. Ao contrário, dizer que Jesus assumiu nossas dores equivale a afirmar que ele padeceu dos mesmos sofrimentos que assolam as pessoas: a humilhação, o abandono, a rejeição, a injustiça… Da mesma forma, dizer que ele assumiu nossa humanidade é o mesmo que declarar que Jesus não se esquivou de uma vida verdadeiramente humana, mas se tornou um de nós, abaixando-se até nossa realidade. E no cume de seu esvaziamento, Jesus manifesta que o ser de Deus é amor. Com efeito, ele não faz outra coisa senão amar: na cruz, o Senhor perdoa seus próprios algozes.

               Na Semana Santa, tudo aponta para a máxima manifestação do amor que o Senhor tem por nós. Ao mesmo tempo, tudo nos convida a uma resposta amorosa que, inevitavelmente, passa pelo amor aos outros nossos irmãos e irmãs. Proponho ilustrar essas afirmações com apenas dois singelos exemplos extraídos de antigas tradições extra bíblicas posteriormente incorporadas ao piedoso exercício da Via-Sacra: primeiro, a tradição das três quedas de Jesus; depois, a tradição da Verônica.

As quedas de Jesus no caminho do Calvário, sob o peso de sua cruz, lembram-nos que o Todo-poderoso aceitou viver, na carne, a fraqueza humana. Mais do que isso, lembram-nos que o Senhor não nos abandona nunca, nem mesmo quando nos afastamos dele! Quando nos ferimos pelo pecado, ele “desce” até onde estamos caídos. E aguarda ansiosamente para nos reerguer ao mínimo movimento de nosso coração em direção a ele.

A seu tempo, a atitude de Verônica em socorrer Jesus, cuja face havia se ocultado sob sangue, suor e poeira, convida-nos a socorrer hoje o mesmo Jesus, na pessoa de nossos irmãos e irmãs sofredores. “Em verdade, vos digo: todas às vezes que fizestes isso a um destes mínimos que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!” (Mt 25,40). São eles o “verdadeiro ícone” (daí, o nome da “Verônica”) de Jesus.

Que a Virgem Maria, Senhora das Dores, nos acompanhe nestes dias, para que celebremos com alegria, em breve, a Ressurreição de Nosso Senhor, a qual é farol de esperança para todo o mundo.

 

Seminarista Jarbas Antônio Pires Viana

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